O executivo norte-americano está a tentar condicionar a prática científica relativa às alterações climáticas. James Hansen, director do NASA Goddard Institute for Space, acusou o governo dos EUA de tentar controlar não só a investigação sobre as alterações climáticas mas também a forma como os cientistas transmitem a sua informação ao público.
Segundo Hansen o Office of Management and Budget (OMB), o órgão da Casa Branca responsável pelos orçamentos e pela administração dos executivos das agências governamentais como é o caso da NASA, fez um corte retroactivo de 4,5% no orçamento do Programa de Investigação e Análise em Ciências da Terra, ainda que o seu intuito seria aplicar um corte de 20%. Hansen queixou-se do facto numa conferência de imprensa alegando que o corte, sob iniciativa da Casa Branca e do OMB sem que mais ninguém tenha sido posto ao corrente, chega a ser inconstitucional já que os cortes deveriam ser aprovados pelo Congresso. Na opinião de Hansen as consequências são ruinosas para a investigação nessa área (com custos em infra-estruturas que representam 80% do orçamento) que afecta não só o instituto que Hansen dirige mas também outras agências e universidades.
O cientista alertou ainda para as tentativas de filtrar a informação entregue à comunicação social. Os artigos científicos têm sofrido o escrutínio e até mesmo censura clássica por parte do gabinete de relações públicas da NASA. Este gabinete também tem tido o cuidado de fazer ensaios prévios às conferências de imprensa dos cientistas e de exigir ser informado sempre que os media entrem em contacto. Um colega de Hansen, que iria palestrar sobre a diminuição da quantidade de gelo do mar do Ártico testemunhou aquilo que um dos funcionários desse gabinete encarou como sendo algo inaceitável - a sugestão de que a redução da emissão de gases de estufa possa impedir a diminuição da massa de gelo. Aparentemente para esse funcionário essa sugestão é uma intromissão na política, um tema do qual os cientistas se devem alhear.
É conhecida a posição actual dos EUA face ao protocolo de Quioto e segundo Hansen o problema não é exclusivo deste executivo. Outros governos, tanto republicanos como democratas, tiveram os mesmos intuitos se bem que a questão se agravou a partir de meados de 2006. Henson já havia alertado para essa censura numa entrevista para a CBS, entrevista essa que foi gravada por um dos representantes da NASA. Entrevistas posteriores foram proibidas.
(Fontes: CBS, Scientific American)