Jornalismo?
O cable referido pelo El Pais em relação ao BPN já está disponível no Cable Viewer.
Depois de ler com maior atenção o que lá está escrito (que de qualquer forma tinha citado na íntegra citado pelo El Pais), só posso ficar desapontado com o jornalismo português... Por duas razões:
1) Porque só se soube desta notícia a partir de um jornal espanhol;
2) Porque a entrevista a Carlos Santos Ferreira ontem à noite na TVI não o confrontou com um facto óbvio - o facto de o relator não se limita a descrever a sua versão dos factos mas pede explicitamente orientação de Washington para a sugestão do director do BCP:
«On February 5, Millennium Executive Board Chairman Carlos Santos Ferreira discussed the proposal with Poleconoff and its possible benefit to the USG. While he claimed that the costs could outweigh the benefits to Millennium, Ferreira is willing to establish a relationship with Iran to help the USG track Iranian assets and financial activities.»
Ou seja, mesmo que seja de facto uma hipérbole do diplomata a ideia de perseguir um objectivo desvantajoso para o BCP (a menos que CSF fosse vender o peixe a outro sítio), foi feito um pedido para guiar a decisão de aceitar a proposta ou não. Isso é incontornável. Isto significa que o director do BCP está implicitamente a acusar o diplomata norte-americano de estar a mentir descaradamente, o que parece que passou despercebido ao jornalista de serviço, que insistiu uns minutos mas depois desistiu de confrontar CSF como se isso não valesse muito a pena.
Já arrefecidas as declarações sem sentido de CSF, vem a lume outro dado - O Governo português autorizou o uso das Lajes para o transporte de prisioneiros de Gauntanamo. E depois de se provar que o Executivo mentiu ao Parlamento, as declarações do MNE são mansamente acolhidas por jornalistas que, por sua iniciativa, se predispõem a terminar a entrevista, dizendo, sic, «só mais uma pergunta...». Só mais uma. Não queremos importunar a sereníssima paciência de Luís Amado... Só mais uma pergunta, Ex. Ministro, para não o aborrecer, e para que possa voltar ao seu trabalho de mentir descaradamente aos portugueses.
Com jornalistas deste calibre, qual o custo de oportunidade de mentir ao Parlamento? Bem o disse Carlos Pinto Coelho.
Depois de ler com maior atenção o que lá está escrito (que de qualquer forma tinha citado na íntegra citado pelo El Pais), só posso ficar desapontado com o jornalismo português... Por duas razões:
1) Porque só se soube desta notícia a partir de um jornal espanhol;
2) Porque a entrevista a Carlos Santos Ferreira ontem à noite na TVI não o confrontou com um facto óbvio - o facto de o relator não se limita a descrever a sua versão dos factos mas pede explicitamente orientação de Washington para a sugestão do director do BCP:
«On February 5, Millennium Executive Board Chairman Carlos Santos Ferreira discussed the proposal with Poleconoff and its possible benefit to the USG. While he claimed that the costs could outweigh the benefits to Millennium, Ferreira is willing to establish a relationship with Iran to help the USG track Iranian assets and financial activities.»
Ou seja, mesmo que seja de facto uma hipérbole do diplomata a ideia de perseguir um objectivo desvantajoso para o BCP (a menos que CSF fosse vender o peixe a outro sítio), foi feito um pedido para guiar a decisão de aceitar a proposta ou não. Isso é incontornável. Isto significa que o director do BCP está implicitamente a acusar o diplomata norte-americano de estar a mentir descaradamente, o que parece que passou despercebido ao jornalista de serviço, que insistiu uns minutos mas depois desistiu de confrontar CSF como se isso não valesse muito a pena.
Já arrefecidas as declarações sem sentido de CSF, vem a lume outro dado - O Governo português autorizou o uso das Lajes para o transporte de prisioneiros de Gauntanamo. E depois de se provar que o Executivo mentiu ao Parlamento, as declarações do MNE são mansamente acolhidas por jornalistas que, por sua iniciativa, se predispõem a terminar a entrevista, dizendo, sic, «só mais uma pergunta...». Só mais uma. Não queremos importunar a sereníssima paciência de Luís Amado... Só mais uma pergunta, Ex. Ministro, para não o aborrecer, e para que possa voltar ao seu trabalho de mentir descaradamente aos portugueses.
Com jornalistas deste calibre, qual o custo de oportunidade de mentir ao Parlamento? Bem o disse Carlos Pinto Coelho.
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